5 livros em inglês que me ajudaram a aperfeiçoar o idioma


Mudar os hábitos de leitura nem sempre é fácil, quem dirá ler livros em inglês. As redes sociais estão aí, dando sopa, com imagens e textinhos curtos, tão fácil e rápido que é quase impossível resistir. Eu não sou diferente. Também passo um bom tempo rolando a barrinha da tela no meus Instagram e Facebook. Ainda assim, sabendo dos prazeres da leitura (talvez porque vivenciei a era pré-rede social) ainda me forço a colocar o celular longe do alcance e enfiar a cara nos livros – por mais que, a princípio, seja difícil me concentrar.

E livros em inglês também! Foram eles que me ajudaram a aumentar meu vocabulário, aprender gírias e expressões e ver como a língua funciona em diferentes contextos. O seu inglês ainda é muito básico? Não tem problema. Quero te mostrar aqui como fazer pra você começar aos poucos, com textos e leituras mais simples, pra daí finalmente embarcar num livro em inglês inteiro mesmo, como você leria em português. Coloco aqui também, logo embaixo dos subtítulos, para quais níveis de inglês recomendo a leitura, belê? Vamo lá?


1. Graded Readers

(para todos os níveis)


How to improve your English: Part 1 - Reading - Discover English
Na parte de livros estrangeiros/em inglês das livrarias, você localiza os graded readers por essas lombadinhas coloridas. Tem de várias editoras: Penguin, Oxford, Macmillan, etc.

Algumas escolas de inglês incluem esses livros no material da escola. Graded Readers nada mais são do que livros em inglês – geralmente de famosos clássicos literários – com um vocabulário simplificado para o seu nível (costuma haver uma lista no verso do livro com o nível para o qual ele é indicado: pre-intermediate, intermediate, upper, etc.)

Você pode ler de Sherlock Holmes à biografia do Freddie Mercury (e as editoras vem investindo em cada vez mais títulos). Por serem simplificados, os livros são bem mais fininhos, não se preocupe. Alguns tem um glossário no final e ainda incluem CDs com a mesma história. Dá pra você ouvir e ler ao mesmo tempo. Ou ouvir no carro primeiro, pra depois ler e confirmar se entendeu. Eu lia e anotava novas palavras, destacava exemplos de estruturas gramaticais que tinha acabado de aprender. Enfim, já falei aqui que fácil não é, e aprender uma língua exige de você tempo e dedicação. Então, se você gosta de ler ou gostaria de ler mais, por que não começar com pequenas histórias como essas?


2. Extremely Loud & Incredibly Close, de Jonathan Safran Foer

(para níveis acima do intermediate)


Esse foi o primeiro livro que li original em inglês. Por que ele? Bem, primeiro que ele estava 5 dólares quando comprei nos Estados Unidos (ahahaha). Segundo, que não fazia muito tempo que eu tinha visto o filme no cinema e pensei que isso me ajudaria a entender melhor a história do livro (Bingo! Ajudou mesmo!). Então, essa é a minha segunda dica. Quando se sentir mais confiante, passe dos graded readers para um livro original e escolha um livro da qual você já conhece a história (pode ser um que você já leu em português ou cuja história você viu numa série, num filme ou desenho). Acredite na teacher aqui: context matters (contexto importa!). E já saber sobre o que é a história, vai facilitar e muito o entendimento do texto. Vai por mim!

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Ah, e você pode tanto parar para olhar o significado de algumas palavras no dicionário (por ser o meu primeiro, eu fiz isso com esse livro e por isso demorei horrores pra terminar, mas foi um exercício muito bom). Ou você pode continuar a leitura e procurar entender pelo contexto mesmo (um exercício muito bom se você deseja prestar exames como os de Cambridge, Ielts ou Toefl, já que você obviamente não tem acesso a nenhum recurso durante o exame). Hoje, eu sempre procuro entender pelo contexto e só busco palavras no dicionário quando elas se repetem muito.

E não, coleguinhas, não é porque sou professora que já sei TODAS as palavras em inglês. Ninguém sabe. Nem um nativo (nem você, cara pálida, sabe em português. Ou vai me dizer que você leu Dom Casmurro e Sagarana na época do vestibular e entendeu tudinho?)


Extremely Loud and Incredibly Close eBook: Foer, Jonathan Safran ...
Livro em inglês da Penguin, publicado como
“Extremamente Alto e Incrivelmente Perto” no Brasil

O livro, aliás, conta uma história muito fofa sobre um menininho que perde o pai (interpretado pelo Tom Hanks no filme) no 11 de Setembro e se agarra a uma chave – que ele acredita que o pai deixou para ele – para desvendar um enigma e se manter conectado à memória do pai. Separe o lencinho, porque é de chorar!


3. Comic books (HQs ou gibis)

(a partir do Elementary)

Se você não sabe, comic books são literalmente história em quadrinhos em inglês, como as da Turma da Mônica, Mangá e as de super heróis (mais conhecidos pela gente como gibis). E se você tem um lado criança como eu, vai gostar dessa dica. Além de me introduzirem no mundo da leitura (em português mesmo), a Turma da Mônica também me deu aquele empurrãozinho no inglês. É que, quando fui morar nos Estados Unidos, a versão em inglês dos quadrinhos tinha acabado de ser lançada. E eu, claro, comprei vários e levei para a família americana com quem eu ia morar (já que os meninos mais novos da família tinham 7 e 14 anos). Acabou que eles nem ligaram (o que vim a descobrir depois que é super comum, porque americano não liga mesmo pra quase nada que não seja do país deles. hehe), e eu trouxe tudo de volta (e li, óbvio).

Lembra quando falei há pouco que ler algo que você já conhece facilita? Então. Sem contar que os gibis contam com imagens e a linguagem é mais simples, o que facilita mais ainda. Mas o que mais gostei foi de ver as adaptações culturais e linguísticas para o inglês – o Cebolinha, por exemplo, virou “Jimmy Five” por causa dos cinco fios de cabelo, e troca os “R”s por “W”s, ao invés dos “L”s, como em português. Já o Chico Bento virou “Chuck Billy” e tem um baita sotaque de americano do interiorrrr. XD

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And So Thirty Years Have Passed | Monica and Friends - YouTube
E a série em inglês ainda tem um canal no YouTube. Se liga nesse exemplo de Present Perfect da tirinha, publicada pela Panini

A princípio, os gibis da Turma da Mônica foram traduzidos como Monica’s gang. Mas talvez esse gang (apesar de significar turma mesmo, e não só uma facção criminosa) não tenha pegado bem e a equipe do Maurício de Sousa decidiu mudar para Monica and Friends. De qualquer forma, é uma graça (e ainda tem um canal do YouTube com o desenho em inglês que você confere aqui). Os da Mônica você encontra no site da Panini, mas pode ser que você ache este e outros tipos (como os de Super Heróis como Batman e Homem Aranha) em bancas de jornais e grandes livrarias também – além da Internet, claro, que também disponibiliza aplicativos. Fica a dica!


4. Silver Linings Playbook, de Matthew Quick

Esse eu peguei emprestado de uma amiga (só porque somos pessoas que devolvem os livros, e é bom que você faça o mesmo, hein?). E é outro que também tem o filme (o que deu o primeiro Oscar à Jennifer Lawrence, lembra? Aliás, você pode ver aqui o tombo que ela deu na escada – amo a Jennififer Lawrence! Tão gente como a gente – e ainda aprender como dizer pagar mico em inglês XD).

Mas voltando ao assunto: dessa vez, porém, resolvi fazer diferente. Como já estava mais confiante no inglês, li o livro todo primeiro e depois vi o filme. O nível de dificuldade do livro, no entanto, foi outro, muito além do vocabulário: os idioms relacionados a esportes, principalmente o baseball. Isso porque o personagem principal (interpretado por Bradley Cooper nos cinemas) é um mega fã do esporte e usa vários deles para se expressar. Resultado: tive que dar várias “googladas” e consultar os amigos gringos, mas aprendi muitos idioms (que alguns anos depois seriam minha tese de pós-graduação, vejam só).

The Silver Linings Playbook by Matthew Quick
Livro da editora Penguin, em inglês. No Brasil, tanto o livro quanto o filme ganharam a tradução como “O Lado Bom da Vida”

Quer saber o que siginifica “silver linings”? Clique aqui e veja essa e outras expressões sobre otimismo


Buscar você mesmo o significado de palavras e expressões te ajuda a melhor reter esse vocabulário e é mais eficiente do que se o professor mesmo te der a explicação ou tradução (quer colherzinha na boca, é bebê?). Você também acaba aprendendo a pesquisar e observar que não pode simplesmente pegar a primeira tradução em um único dicionário, mas precisa de vários e precisa de contexto (olha ele aqui de novo! Super importante). Muitos desses idioms, aliás, eram totalmente deduzíveis por meio do contexto em que o personagem estava inserido. Pesquisá-los, portanto, era só para ter certeza de que eu havia entendido e pra ver em quais outras situações eu poderia usá-los.

“Ah, Lidiane, mas você é professora e gosta da coisa”. Ok, ok. Tenho de concordar que a paixão por idiomas realmente me fazia (e faz!) ir além. Mas se você só procurar entender e, talvez, criar aí uma listinha com novos vocabulários para adicionar essas novas palavras e seus significados (com exemplos, hein? Que é muito melhor de reter), eu já fico feliz.

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5. Wonder, de R. J. Palacio

(a partir do intermediate)

Eu podia indicar aqui o The Light Between Oceans, do M. L. Stedman, ou o Sharp Objects, da Gillian Flynn, ambos com adaptações para o cinema (o primeiro, um filme, e o segundo uma série da HBO). Mas além de achar o vocabulário muito mais difícil (eu nem consegui terminar The Light Between Oceans, e olha que além de professora, eu vi o filme antes hein?), acho que são histórias mais pesadas e turbulentas (nem todo mundo gosta, mas se você estiver a fim, go ahead).

Por isso vou indicar aqui um que você muito provavelmente já deve ter visto e ficou na lista de best-sellers (os mais vendidos) por um tempo: o Wonder (publicado em português como “Extraordinário”). O livro é uma graça e super fácil de ler se o seu nível já é um pouco mais avançado (ele tem um vocabulário do dia-a-dia).


Auggie e seu capacete de austronauta, tentando se esconder do preconceito alheio (livro em inglês da editora Penguin)

Para quem não conhece a história, o livro é sobre August (ou Auggie, como ele é carinhosamente chamado), um menininho que nasceu com uma síndrome genética que lhe causou sérias deformações faciais. Ao mesmo tempo que luta contra o preconceito e a discriminação em relação à sua aparência quando finalmente entra na escola (por anos, a mãe o ensinava, com medo das revelias que o filho sofreria devido a sua aparência), Auggie se mostra como qualquer outro garoto da sua idade, além de inteligente e amoroso.

Se você viu o filme, sabe que a história é encantadora. Então, porque não ler o livro e em inglês, pra dar uma polida nesse inglês maravilhoso aí que você vem trabalhando?

Pra finalizar, eu gostaria de recomendar (pra quem gosta, claro) a compra de um ebook (ou leitor de livros eletrônicos). Por mais que eu ame livros de papel (o cheiro e a experiência são incomparáveis), morar fora me fez ver o quão inconvenientes e pesados eles são na hora de fazer uma mudança. Então, além de poder carregar vários livros em um só aparelho (que é suuuper leve), ele ainda tem a vantagem de facilmente permitir buscar palavras em dicionários, além de oferecer livros por um preço bem mais em conta. Comprei o meu, um Kindle, no começo do ano e estou amando!

Seja em papel ou eletrônico, livros são sempre benéficos e além de abrir um mundo de conhecimento e de imersão em um outro universo, ainda podem ajudar você a aprender e aperfeiçoar uma nova língua. Então, mude já esse hábito de rede social o dia todo nessa quarentena e comece suas leituras, mesmo que pequenas.

Até já!

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