Como fiz para aprender inglês?

Vira e mexe, um ou outro aluno me pergunta: “teacher, como você aprendeu inglês?”. Assim. No pretérito perfeito. APRENDEU. Mal sabem eles que, na verdade, como professores, somos eternos alunos. Não aprendi inglês, mas aprendo. Todos os dias. E assim provavelmente será também a sua aprendizagem como estudante: constante. Explico.

É que diferentemente das exatas, em que 2 + 2 será sempre 4, nas humanas, as coisas são um pouquinho diferente. Então, quero falar aqui dos passos que me levaram a aprender inglês, de alguns mitos, da minha experiência e também dar dicas do que você pode fazer para finalmente atingir o tão sonhado nível de inglês. Vamos lá!


1. “Eu só vou aprender inglês se começar a estudar cedo


Aprender qualquer coisa quando se é criança ou adolescente é muito mais fácil. Isso é inegável. Crianças e adolescentes não trabalham, têm muito mais tempo para estudar e não têm a pressão do trabalho para aprender um idioma o mais rápido possível (às vezes, sob pena de perder o emprego). Sem contar que, quando bem pequenas, também não se importam em errar e seus cérebros são bem mais elásticos e flexíveis. Existem, além disso, estudos que afirmam que crianças bilíngues não desenvolvem sotaque e têm menos problemas com pronúncia.

PORÉM (e aqui este porém vem mesmo propositalmente em letras garrafais!), é um erro achar que você só vai aprender inglês se começar cedo ou que você não aprende porque não começou cedo. Já tive vários alunos e amigos que, adultos, começaram no nível básico e hoje possuem um inglês excelente. Eu mesma, apesar de nunca ter tido dificuldades, pisei numa escola de inglês pela primeira vez aos 18 anos. Mas aí, quero falar de dois fatores que considero chave para que isso aconteça: motivação e estudo.



2. Encontre o que te motiva


Como disse anteriormente, estudar inglês, assim como qualquer outro idioma, nunca foi penoso para mim, que sempre amei línguas (falo também espanhol e já me arrisquei no alemão). Mas pode ser penoso pra você, que talvez não sejá muito fã (ao contrário de mim, talvez você seja mais dos números, sei lá). Por isso, é importante que você encontre o que te motiva a estudar. Pode ser um salário melhor, a vontade de morar fora ou até de entender aquele jogo de videogame cuja história e cujas instruções vêm todas no idioma. Não importa. O importante é que você tenha um foco e use-o como um motivador.

No meu caso, além de gostar de idiomas, eu cursava jornalismo e sabia que falar inglês um dia seria uma grande diferencial na minha profissão (como é hoje em quase todas as outras). Então, arregacei as mangas e fiz o que muita gente não gosta de fazer e que é o segundo fator: estudar.



3. Hit the books!


Não tem jeito, não tem como escapar. Estudar é preciso. Mas ao contrário do que você pensa, estudar não é só ir para a aula e hit the books! Meter a cara nos livros e fazer exercícios de pronúncia, vocabulário e gramática. Como o Rafa aqui da Flipping It já mencionou aqui, estudar não é ir para a aula e ficar no celular, como também não é só isso.

Você estuda quando tenta acompanhar a letra de uma música, cantá-la e entendê-la (beijos, karaokê! Amo vc!). Você estuda quando lê ou quando vê um filme ou uma série em inglês – você começa com a legenda em português. Mais tarde, conforme vai estudando, lendo, ouvindo música e seu inglês vai melhorando, você muda pra legenda em inglês, até que, finalmente, tira a legenda e fica só com o áudio em inglês mesmo (que é a última etapa).

Percebe que não é apenas uma coisa que faz com que você aprenda, mas um conjunto de fatores? E aqui, começo a falar desses fatores, com algo que sempre funcionou pra mim e que acredito ser um diferencial: fazer o que você gosta, mas também (e principalmente) o próximo fator: saber que não, não será fácil. E você vai ter de se esforçar.

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4. Saia da sua zona de conforto!


Não tem problema não gostar de karaokê. Ou não gostar de ler livros. Ou não gostar de videogames (eu mesma não gosto). Mas sério mesmo que você não gosta de nada disso? Ou será que nunca tentou gostar? Em outras palavras, infelizmente, na vida a gente não faz apenas o que gosta. Existe um esforço necessário da sua parte pra alcançar qualquer coisa. Seja o corpo saudável ou o nível de inglês.

Então, se você só gosta de música brasileira (que, vamos combinar, somos muito bons em termos de variedade de gêneros musicais), faça um esforço e comece a ouvir outra coisa. Não suporta rock? Tudo bem. Ouça pop. Tente hip hop ou até a trilha sonora daquele filme que você ama. Mas faça um esforço. Não gosta de literatura? Ok. Leia quadrinhos (comic books) ou siga aquela página de humor ou de entretenimento no Facebook e/ou no Instagram (quer umas sugestões? 9Gag, English Jokes, Buzzfeed). E aí vem também a minha próxima dica: TUDO em inglês.



5. Viva o idioma


Sair da sua zona de conforto significa também começar a ler (mesmo que pequenas coisas, caso seu nível ainda seja baixo) em inglês. Experimente colocar o seu Facebook em inglês. Depois seu email. Seu Instagram, seu celular. “Ah, teacher, mas daí eu não vou entender nada”. Vai. Acredite em mim. O seu cérebro é mais perspicaz do que você imagina. Se eu vendar seus olhos e pedir pra você escrever uma mensagem no Whatsapp para alguém, pode saber que você vai conseguir (não sem alguns erros, mas vai).

Isso são só exemplos do que você pode começar a fazer (e, de novo, você não precisa e nem deve fazer tudo isso de uma vez) para sair da sua zona de conforto. Aos meus alunos da Austrália, por exemplo, eu vou além e peço pra eles pra, pelo amor de Deus, não morarem ou saírem somente com brasileiros. Aprender uma língua é também aprender uma nova cultura, e isso inclui estar aberto a novas ideias, novos estilos de vida e, por que não, novos métodos, que é a próxima dica.



6. Encontre o melhor método PRA VOCÊ


Certa vez, conversando com a minha irmã, que já fez diversos tipos de dieta, ela me falou que parou de fazer uma X. Quando perguntei: “por quê? Não funciona?”, ela me respondeu: “funciona. Mas você não tem vida social. Então não serve pra mim.” E depois de muito testar, ela acabou descobrindo uma que se encaixou à rotina dela. Com o ensino de idiomas, não é muito diferente. Ao longo de anos ensinando idiomas (pra quem não sabe, comecei pelo espanhol, há cerca de 10 anos), já experimentei diferentes escolas e metodologias, tanto como aluna quanto como professora, e te digo com toda a certeza: não existe escola perfeita. O que existe é uma escola/metodologia que se encaixa ao seu perfil.

Aquela escola de inglês que tem aulas todos os dias pode ser ótimo para “acelerar” a sua aprendizagem. Mas será que, considerando a sua rotina (trabalho, família, filhos…), você conseguirá ir à aula todo dia? E se você precisar faltar, conseguirá acompanhar? Outra coisa importante são as “imperfeições” de cada curso ou escola, que mencionei anteriormente. Às vezes, você adora a escola e os professores, mas não se deu com uma turma. Outras, o professor é bom e a turma também, mas a metodologia é muito engessada. Outras ainda, tudo é ótimo, mas a escola é longe ou tem muitos alunos por sala. Enfim, sempre haverá algum problema e cabe a você colocar tudo na balança e ver o que melhor serve às suas necessidades, ao seu tempo e ao seu bolso.

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Uma ex-aluna minha disse uma vez ter encontrado a melhor forma para aprender inglês fazendo aulas particulares comigo. Isso porque ela era muito tímida e não conseguia falar muito em aulas em grupo, então preferia vencer o medo de falar inglês em público aos poucos, começando por falar apenas com a professora. Já eu, quando aluna, tentei aulas particulares por um tempo e não funcionou. Isso porque, como uma boa comunicadora, gosto da troca em sala aula com outros alunos e me sinto mais motivada quando compartilho ideias e dúvidas em grupo. Existe uma forma de aprender inglês que se encaixa melhor a cada perfil. E aí, é claro, o professor também desempenha um papel muito importante. Mas será que ele precisa ser nativo? Ou isso é só mais um mito?



7. “Eu só vou aprender inglês se estudar com um professor nativo”


É bom ter um professor gringo. A gente testa o nosso inglês e se desafia, tentando se acostumar a um sotaque que, pelo menos à princípio, nos é estranho. Se esse gringo for, de fato, um bom professor, é excelente. Porém, não é sempre o que acontece e há muita gente que ache que pelo simples fato de alguém falar uma língua, ela sabe ensinar, o que é um erro.

Muitos especialistas acreditam que há vantagens e desvantagens em ambos os professores (tanto o nativo quanto o não-nativo) e que o melhor é aquele que fala a língua que você quer aprender e a SUA língua (leia mais aqui). Pra você ter uma ideia, há um certificado de Cambridge que todos nós professores temos de tirar se quisermos dar aula no exterior. Na escola onde trabalho na Austrália, o cara que ministra esse curso e treina os professores é tailandês. Isso mesmo, amiguinhos. O bam bam bam, aquele que tudo sabe do inglês, que treina os próprios australianos e outros nativos para dar aula NÃO é nativo. Mas estudou muito, tem diversos certificados e pós-graduações, além de uma vasta experiência.

O não-nativo passou pela mesma experiência que você. O nativo tem um vocabulário mais amplo ou sabe quando algo não lhe soa natural. Em outras palavras, ambos terão prós e contras, mas de uma forma ou de outra, se ele for um bom professor (e você um bom aluno, não custa lembrar), você tem grandes chances de aprender. Só não ache que alguém, que nada tem de experiência e que nunca se aventurou a aprender a sua ou qualquer outra língua, saberá te ensinar simplesmente por ser nativo. Não caia nessa.



8. “Eu só vou aprender inglês mesmo se eu morar fora”


Morar fora do país é fantástico. Além de conhecer uma nova cultura e sair da bolha, você ainda se cerca da língua por todos os lados. Eu morei um ano nos Estados Unidos com uma família americana e passar o dia todo me forçando a falar inglês fez uma baita diferença. Mas também já vi gente que morava lá há meses e não sabia pedir comida num restaurante. Vejo gente que está aqui na Austrália há quatro anos e não fala quase nada. Por que será?

Há um ditado em inglês que diz You can lead a horse to water, but you can’t make him drink (você pode levar um cavalo até à água, mas não pode forçá-lo a bebê-la), e é exatamente assim com relação a morar fora.

Na Austrália, nos Estados Unidos, no Canadá ou em qualquer outro país de língua inglesa, o inglês estará por todos os lados. Mas você só aprende mesmo se quiser. No restaurante, o amigo brasileiro que está aqui há mais tempo acaba pedindo o prato pra você e você nem tem a chance de tentar. Você vai ao supermercado e paga em caixas automáticos, faz quase tudo por aplicativo e pode morar, sair e trabalhar com pessoas da sua própria nacionalide (até porque, brasileiros estão em todos os lugares). Fácil, né?

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Por isso, morar fora pode fazer a diferença, sim, mas vai depender muito de você e quão disposto você está a sair da famosa e já mencionada zona de conforto. Além disso, nothing happens overnight, e aí vem o próximo passo: paciência e perseverança.



9. Tenha paciência


Não, infelizmente muita coisa na vida não vem de uma hora pra outra, como aquela pizza que você pediu pelo ifood. Como já foi dito aqui, Cambridge tem uma estimativa de que você precisa de cerca de 800 horas de estudos e exposição ao inglês pra atingir o nível avançado. Claro que isso é só uma estimativa, que pode variar para mais ou para menos, mas esses números não foram tirados do nada. Existem estudos sobre isso. E, não, eu sinto te dizer, mas chegar à tão sonhada fluência não será rápido e fácil. Você vai ter de trabalhar duro, como qualquer pessoa que queira chegar ao sucesso, seja ele falar inglês ou ter uma carreira de sucesso.

Muitos alunos (principalmente no Brasil, onde status é algo supervalorizado) tentam pular etapas pra poder colocar um “inglês avançado” no currículo ou até mesmo na ilusão de que irão aprender mais rápido. Mas, na verdade, quando se trata de aprender inglês, o ideal é não cortar caminho, pois sempre ficará um gap na aprendizagem que será essencial para a compreensão de outros tópicos futuramente. Um exemplo simples: não ensinamos Present Perfect (sim, o tão temido I’ve don, we’ve travelled, She has taught English for 10 years) sem antes ensinarmos o uso de Simple Past. Isso porque, você já precisa ter atingido uma certa maturidade linguística para conseguir assimilar estruturas gramaticas e vocabulário mais complexos.

Você começa primeiro por palavras de nível A1, A2, que evoluem pra B1 e assim por diante até às de níveis mais avançados como C1, C2 (tô falando grego? Clique aqui para se familiarizar com a escala de níveis de Cambridge). Apesar de a frustração fazer parte do processo de aprendizagem, pular muitas etapas só vai fazer você se frustrar ainda mais e tornar a aprendizagem mais difícil. Tenha em mente também qual nível de inglês que você precisa/quer atingir, seja por motivos pessoais ou profissionais. E aí partimos para o último tópico.



10. Tenha um objetivo


Quando descobri os exames de Cambridge, passei a fazê-los como uma forma de me motivar e de ter um objetivo a atingir em relação ao meu inglês. Você claramente não precisa fazer os exames se não quiser, mas é bom que você tenha um objetivo em relação ao nível que precisa atingir e tenha em mente que precisará dedicar tempo proporcional a ele. Quanto mais alto o nível, mais tempo de estudos e dedicação.

Por que isso é importante? Porque talvez, para o que você precisa – em termos de estudo, trabalho ou viagens, sejá qual for a razão pelo qual você está aprendendo uma língua – um nível upper ou avançado já seja o suficiente. Alcançar o nível C2, por exemplo (que é o nível de proficiência) é uma tarefa árdua que, honestamente, só vejo sentido para nós professores e alguns outros profissionais (nem os próprios nativos chegam a atingir esse nível, sabia disso?).

A maioria das universidades aceita alunos com níveis entre B2 e C1 (que são equivalentes a upper-intermediate e avançado). Ou seja, a não ser que você queira ser professor, piloto de avião ou repórter internacional, não há razão para atingir essa perfeição toda. A não ser que você queira mesmo.

Eu sempre falo demais, mas espero que essas dicas sirvam pra motivar você a não desistir e saber que não será um caminho fácil, mas que com dedicação, perseverança e algumas mudanças de atitude, é possível sim aprender uma língua e que de melhor ela tem: uma viagem espetacular a um universo novo de hábitos, culturas, pessoas e comidas.

Abraço e até mais!

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