O que posso te contar sobre meu ano na Austrália

Time flies. A gente sabe. E meu ano aqui não foi diferente. Morei um ano nos Estados Unidos mas, como não trabalhava exatamente com o que gostava, os últimos meses foram difíceis. Talvez aqui, por fazer o que gosto, o tempo tenha passado mais depressa. E nesse um ano deu pra acumular um bocado de experiências. Foram alguns meses de desespero procurando trabalho, semanas pegando trem errado, mas também descobrindo as belezas daqui – e passando perrengue, claro!

Pra celebrar esse ano – que foi mara, mas não a bed of roses – separei algumas das minhas impressões caso você esteja pensando em se aventurar pelo mundo e considere vir para essas bandas também. De quebra, vou incluir uns idioms também, como você já viu aí em cima, porque não me aguento.

Ah! E como sou de São Paulo e vim pra Sydney, você vai me ouvir mais comparando essas duas cidades, okay?


Primeiras impressões


Minha primeira impressão quando pisei em Sydney foi: “nossa, quanto asiático!” ahahaha. Por conta da proximidade geográfica, aqui tem muitos japoneses, chineses, vietnamitas, filipinos (meus flatmates são!), mas também muitos neozelandeses, britânicos, latinos e, sim, muuuuuitos brasileiros. E é isso que faz de cidades grandes e cosmopolitas como Sydney um dos maiores atrativos pra mim, que adoro essa mistura de cores, culturas, comidas, e que faz a experiência fora do Brasil tão enriquecedora.

Outra coisa que me chamou a atenção aqui foram as construções em andamento. Elas estão por toda parte, principalmente nos subúrbios da cidade (você pode ler mais sobre o porque disso e aproveitar pra treinar o seu reading clicando nesse link do ABC News). Além de barulho, elas também geram empregos. Mas o que senti mesmo na pele, literalmente, foi o clima. E se você, como eu, pensou que a Austrália é só sol e hot weather o ano todo, se enganou.

Como dizer “perrengue” em inglês e outras expressões com problema


E o vento levou!


No verão, faz um calor de rachar côco, como diz a minha irmã. “It’s a real scorcher today”, a gente ouve dos australianos. Pela primeira vez, justo eu que nunca gostou de verão no Brasil, descobri que aqui eu gosto. Isso porque há uma boa estrutura para aguentar o calor de 30 e poucos graus: as ruas são arborizadas, todos os trens e ônibus têm ar-condicionado, as praias são lindas e com boa infra-estrutura (banheiros limpos e duchas em praticamente todas elas). Só a água do mar, que acho bem mais fria que a de praias brazucas. Então, ponha o seu chapéu (que aqui é super comum) e seu filtro solar FPS 50 (o mínimo que você encontra nas lojas aqui é fator 30!) e venha ser feliz nas praias australianas (e de quebra ver uns surfistas sarados). Mas se por um lado o verão é delicioso, o inverno…

Image result for blowing away by the wind gif
Maaaais ou menos assim!

Atire a primeira pedra quem não pensou que a Austrália é só calorão. Como cheguei no fim de agosto, me surpreendeu como Sydney pode ser fria! As temperaturas são semelhantes às de São Paulo, com um agravante: o vento! Ele quase te leva quando você anda pelas ruas e faz um barulho assustador na sua janela à noite (dependendo da janela, é claro). Sem contar que obviamente deixa qualquer temperatura ainda mais gelada. Portanto, pode trazer luvas e gorrinho, que você vai precisar. A boa notícia é que, assim como São Paulo, Sydney geralmente tem dias ensolarados, o que dá aquele gás pra encarar a semana de trabalho. E por falar em trabalho, como é trabalhar em Sydney?


Work, work, work, work!


Image result for work rihanna gif

Já dizia Coldplay: Nobody said it was easy. E de fato, não é (como qualquer coisa na vida, não é mesmo?). Sydney tem muitas oportunidades de trabalho (você pode trabalhar até 20 horas semanais como estudante). Porém, não é exatamente uma cidade barata, o que faz com que a galera aqui tenha que ralar muito. They work their asses off. Ou melhor, they work their fingers to the bones (que é mais educadinho. hehe).

É aluguel, é escola, é conta de luz, transporte, renovação de visto! A galera tá sempre preocupada em pagar alguma coisa. E pra isso, a gente faz o que dá e o que aparece. Alguns trabalham já na sua área, como eu. Outros, trabalham como cleaner, traffic controller, garçom ou garçonete. Meninos trabalham em construção, meninas como baby sitter. E sabe o que é melhor disso tudo? Ninguém liga! Todos os trabalhos são respeitados. A gente faz o que é preciso pra se manter aqui e não há vergonha nenhuma nisso. É uma outra cultura. Sabe quais são as profissões de respeito aqui que dão a maior grana? Eletricista e encanador.

Leia também:  5 motivos para fazer intercâmbio em Nova York.

Também não tem essa de limite de idade. “Ah, mas você já tem 35 e vai começar uma nova carreira?” é algo que você pouco provavelmente vai ouvir na Austrália. E isso é um dos fatores que mais gosto aqui! Quantas pessoas você conhece no Brasil que são graduadas, trabalham na própria área, mas estão infelizes, e mesmo assim continuam postanto suas fotos maravilhosas no Instagram? Não que a galera aqui esteja totalmente satisfeita com o que faz, mas às vezes esse é o preço de morar no lugar que escolheram. E tudo não passa exatamente disso mesmo: escolhas. Optamos por morar aqui e arcamos com o ônus disso. Por quanto tempo? Isso cada um sabe. Tem gente que faz por um tempo, chega num limite e volta para o Brasil. Tem gente que não liga. E tem gente que faz por um tempo enquanto traça um plano para mudar de trabalho. Tudo é possível. Mas aí vem o fator chave para a maioria delas: o inglês.

10 idioms pra você impressionar no trabalho


Do you speak English?


Estudar uma língua no país em que ela é falada tem muitas vantagens. Uma delas é que você está 24 horas rodeado pela língua e pode praticá-la no seu dia-a-dia, todos os dias. Pode. Se você quiser. E se tiver disposto a arriscar e dar a cara a tapa. Digo isso porque muita gente acaba saindo apenas com os “seus”. Morando e trabalhando com os “seus”. Seus = brasileiros, pessoas com a mesma língua e cultura. E aí, claro, não aprende nada.

Outro fator que também contribui para minar essa aprendizagem são os custos. Estudar inglês na Austrália sai caro, o que faz com que muita gente acabe optando por cursos mais baratos, que não necessariamente te ensinam inglês. Mas calma! Não quero te desanimar. Estudar inglês aqui é maravilhoso, além de te proporcionar experiências e aprendizagens incríveis – não só de inglês, mas de vida! Porém, pode sim pesar no bolso, principalmente se você quiser ficar mais de 14 semanas (o mínimo para o visto de estudante). E é aí que vem o planejamento.

Um segredo sobre inglês fluente que você precisa saber

Planejar o seu intercâmbio pra cá com antecedência e uma boa agência pode fazer a diferença, principalmente se a sua intenção é permanecer aqui por mais um tempo, fazer uma graduação ou mesmo trabalhar na sua área. Além de pagar a escola onde você irá estudar, é preciso colocar na ponta do lápis a grana que você vai precisar para arcar com custos básicos como moradia, alimentação e transporte pelo menos para o primeiro mês, já que pode levar um tempo até você conseguir trabalho. Então, vamos falar desses gastos.


Vou de táxi!


Ou melhor, vou de Uber, né? Que é mais barato. E se der, vou de ônibus e de trem mesmo, que é mais ainda. O transporte de Sydney não é exatamente ultra eficiente, mas funciona. Eles têm muitas linhas de trem e de ônibus, mas muita gente reclama da espera (onde moro, por exemplo, só tem um ônibus direto pra o meu trabalho e ele costuma sair a cada uma hora – a cada meia em horários de pico).

Image result for opal card sydney

A maioria das linhas de trem são double deckers, ou seja, têm dois andares. Mas não se engane, não. Vez ou outra você também fica feito lata de sardinha no trem – o que é menos comum que em São Paulo, no entanto, que tem mais que o dobro da população de Sydney.

Leia também:  10 palavras em inglês para sobreviver em aeroportos

Diferentes linhas passam na mesma plataforma (e acertou quem pensou que pode pegar o trem errado por isso. Essa que vos fala já pegou várias vezes!). Dinheiro e cartões não são aceitos nas viagens, então você tem de comprar créditos para o seu Opal card, que é o Bilhete Único de Sydney. Adquirir o cartão e carregá-lo é bem simples. Você pode fazê-lo em qualquer estação, em lojas de conveniência espalhadas pela cidade ou até mesmo pelo aplicativo do celular. Idosos, estudantes locais e internacionais (universitários) têm desconto.

Você tem de bater o cartão na entrada e na saída dos ônibus e estações, porque a cobrança é feita por distância. Também por isso nem sempre é uma boa ideia morar tão longe de onde você estuda ou trabalha – e acertou também quem pensou que eu já esqueci de dar o tal tap on/tap off. Algumas estações não tem nem catraca, mas você tem que bater o cartão nos postos de entrada mesmo assim, o que é bastante estranho para um paulistano, já que em São Paulo onde se quer barrar alguém, tem catraca.

Aos domingos você viaja pela cidade por apenas 2,80 o dia. Os valores caem depois de 8 viagens na semana, mas ainda podem fazer a diferença no bolso do estudante internacional. Por isso, muita gente acaba optando por fazer as coisas a pé mesmo e aproveitar o passeio pela cidade – e a segurança que ela dispõe.


Os bicho!


Image result for aranhas raul seixas gif
” Duas aranhas, duas aranhas
Vem cá mulher deixa de manha
Minha cobra quer comer sua aranha”

Pessoal de Sydney, não briguem comigo! Juro por tudo que é mais sagrado que, exceto por uma pequenina que um dia apareceu em sala de aula, nunca me deparei com uma aranha dentro de casa! Eu sei, vocês vão dizer que tenho sorte. Mas o que quero dizer, especialmente pra você que está aí no Brasil, é que aqui há sim animais e insetos um tanto diferentes dos que você vai encontrar aí no Brasil, mas o lugar onde eles aparecem depende muito da cidade e área que você mora. E, claro, há também um certo exagero nesse sentido.

Da mesma forma que você pode achar normal já ter sido assaltado ou ter o celular roubado na mesa do bar – enquanto que em outros países isso parece absurdo -, os australianos acham normal lidar com os animais. Eles estão acostumados com aranhas, tubarões, cobras, e, como cresceram com essa realidade, já sabem como agir caso um desses animais cruze seu caminho. Algumas praias são monitoradas por drones e todo mundo obedece e sai da água quando é notificado sobre a presença de um tubarão ou de águas-vivas, por exemplo.

Como dizer “pagar mico” em inglês?

Assim como alguém que mora num sítio nunca calça a bota antes de dar uma batidinha nela (pode haver um escorpião dentro), uma pessoa que mora numa região com aranhas aqui também não o faz. Um dos meus professores aqui na Austrália me disse uma vez que já foi picado por aranha umas três vezes e que “it’s not a big deal”! Claro que às vezes você tem mesmo que correr para o hospital (assim como você também correria se estivesse com suspeita de dengue, por exemplo). Mas sabe quando foi a última vez que uma pessoa morreu por picada de aranha? Em 1979! (Clique aqui pra saber mais).

Aliás, se eu fosse eleger um bicho pra me tirar o sono, com certeza não seriam as aranhas, mas os pássaros! Eles são lindos (dá um google aí em Cockatoo, Rainbow lorikeet e Kookaburra), mas alguns são extremamente barulhentos e te acordam logo de manhã, bem cedo (às 5h da manhã!). Sem contar o magpie, um pássaro que ataca as pessoas em época de procriação, e as famosas seagulls (aquelas mesmo, do Procurando Nemo. E não fica esperto, não, pra você ver se elas não roubam sua comida! Ahahahahaha).

Image result for seagulls finding nemo gif

E não podemos esquecer que tem os bichos fofos, né? Canguru, koala, equidna. Não, eles não estão por toda parte. Aqui no estado de New South Wales, onde fica Sydney, não se vê muitos. Mas se você descer só um pouquinho e for pra Victoria, onde está Melbourne, já dá pra ver alguns (cangurus muito facilmente. Koalas, precisa dar sorte). E mesmo se você se deparar com uma aranha (que a maioria dos aussies não mata, põe cuidadosamente pra fora), ainda vai valer a pena, vá.

Leia também:  Intercâmbio na África do Sul: um ótimo custo benefício.

In a nutshell: tudo depende do que você tem medo e do que quer pra sua vida. O que é mais importante pra você? Ficar longe daqueles problemas que você sabe que o seu país tem ou de bichos estranhos? In other words, lugar nenhum é perfeito. Somos nós quem colocamos na balança os prós e os contras de viver num lugar ou no outro e decidimos o que é melhor para nós e o que é mais importante para a nossa vida. O resto, pode saber que é tudo exagero de gente que adora falar, mas não tem coragem de virar a mesa e mudar a situação em que está – e nem quer que você mude!

Image result for why foreigners are afraid of aus magpie
O Magpie (à direita), conhecido por atacar especialmente ciclistas em época de procriação, virou até meme entre os australianos

Last but not least: Food!


E, por fim, chegou a vez de falar do assunto que mais gosto: comida! (eu já falei pra vocês que eu A-DORO comida?). Yeah. I’m a foodie!

O que siginifica “I don’t mind if I do”?

A cozinha australiana tem muito peixe, um pouco de carne e muito, muito abacate. Isso mesmo, os australianos aaaamam abacate! É abacate no sanduíche, abacate no sushi, abacate na torrada! Muita gente se acostuma e gosta. Eu como. Mas continuo preferindo minha vitamina de abacate com leite e açúcar mesmo (que qualquer gringo acha super estranho, but who cares?).

Image result for avocado australia gif

Particularmente, ainda acho que o Brasil é imbatível em termos de variedades de frutas e sinto falta dos nossos 5 tipos de bananas (que são docinhas) e nosso maracujá azedinho. Mas adoro ter morangos disponíveis o ano todo e blueberries (mirtilhos em português).

Como dizer “vender igual água” em inglês?

Mas não só de abacate vivem os aussies. Existem muitos restaurantes asiáticos e, como boa cidade grande, Sydney também conta com culinárias do mundo todo (inclusive do Brasil, caso bata aquela saudade). A não ser que você peça, as comidas geralmente não são apimentadas (Thank God! Só Deus sabe o que sofri nos Estados Unidos com pimenta em quase tudo!). E boa notícia para vegetarianos e veganos: aqui é bem mais fácil ficar longe de carne e derivados do leite (tem leite e até iogurte de côco, de soja, de amêndoas e mais uma infinidade de produtos que são bem acessíveis).

Também não podemos esquecer do Vegemite (tão famoso que está na letra da música Down Under, do Men at Work). A música, eu tenho certeza que você conhece. Mas se, como eu, você também nunca tinha prestado atenção na letra e não sabia que ela falava da Áustralia, clique aqui pra ver o clipe, de 1980! (pra quem não sabe, down under é uma expressão usada para se referir à Austrália).

Já o vegemite… Bem, ele divide opiniões mesmo entre os australianos. Parece uma geleia, mas é salgado e bem forte (por isso, tem que passar só um pouquinho). Eu não sou muito fã, mas tem sempre quem goste.

Espero que essas dicas tenham esclarecido um pouco algumas dúvidas e curiosidades sobre a terra dos cangurus. Por fim, quero lembrá-los, mais uma vez, que tudo aqui é muito pessoal e que essas são apenas as minhas impressões. Não há certo ou errado. Você pode encontrar pessoas que odeiem aqui e outros que adoram muito mais do que eu. A dica é: ouça essas pessoas. Leia, pesquise e tire VOCÊ suas próprias conclusões antes de tomar qualquer decisão. Seja pra se mudar pra Austrália ou para o Tibet, pra mudar de carreira ou de cor de cabelo. Informe-se, planeje e siga sempre seu coração que dá tudo certo!

Um abraço!

Quem leu este texto, também leu...

Aprenda Mais
Lidiane Aires

Como fiz para aprender inglês?

Vira e mexe, um ou outro aluno me pergunta: “teacher, como você aprendeu inglês?”. Assim. No pretérito perfeito. APRENDEU. Mal sabem eles que, na verdade,

Leia mais »

Curtiu? Compartilhe!

Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter

Deixe seu comentário!

Fica, vai ter bolo! E um ebook com...

5 dicas para criar um currículo em inglês!