Um segredo sobre inglês fluente que você precisa saber

É lindo que você vê alguém falando em inglês por aí. É “Have you pipipi popopó” pra cá, “I might’ve had” pra lá… lindo. Mas aí quando você tenta abrir a boca, “Gudi Nait” (às 8h da manhã) é o mais próximo da realidade. Às vezes, você até tem um nível bacana de inglês, conhece as palavras. Mas simplesmente… não soa bem. Não parece aquele inglês fluente. E agora?

Eu já quero começar esse artigo deixando bem claro: sotaque não é erro. Todo mundo tem sotaque. Ou você acha que a gente fala, em sala, sobre “SOTAQUE britânico”, “SOTAQUE americano”, “SOTAQUE australiano” de graça? Não é só porque é nativo que não é sotaque. Inclusive, só paulistano acha que não tem sotaque. Todo mundo tem. E está tudo bem.

O problema é quando o sotaque interfere na pronúncia correta das palavras. Quando a falta de compreender um sotaque atrapalha o seu entendimento de uma frase. Quando era pra falar “Excel sheet” e a real é que você xingou o Office (procure por minimal pairs).

You’re not alone

Não raro, vejo muita gente num upperintermediate (B2-C1, para quem conhece CEFR) com uma dificuldade imensa de falar. Não é falta de palavras, não é falta de entendimento. A gramática, às vezes, também está fantástica. O problema é a fala. Não soa como um “inglês fluente” simplesmente porque partes da mensagem são perdidas no meio do caminho.

Isso é um problema imenso porque é difícil voltar atrás e rever tudo de novo, ou ficar consertando erro por erro, ao invés de resolver tudo de uma vez. Cansei de ouvir PROFESSORES que acham incrível ficar corrigindo palavra “até o aluno aprender”. Aí o aluno erra outra palavra, e passa mais 4 aulas para aprender UMA palavra só.

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E o segredo é um só

Estudo de pronúncia. E eu vou te explicar o porquê ele é tão importante quanto o estudo de inglês per si.

A essa altura, você já sabe (ou deve ter ouvido falar) em como o inglês escrito e o falado são coisas distintas. “Fair” tem o mesmo som de “Fare” e por aí vai. O que nem todo mundo te conta é que existe uma lógica por trás disso tudo, e que, uma vez que você entende a lógica, você pode aplicar ela em tudo. Essa “lógica” é um alfabeto fonético conhecido como International Phonetic Alphabet (IPA) que, inclusive, não serve só para o inglês, mas também para português, espanhol, etc.

IPA, a cerveja?

Não, IPA, o alfabeto. Olha esse aqui, com referência ao sotaque britânico:

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Quite confusing, tho still interesting. É um alfabeto novinho pra você decorar. Success! Porém, por trás dele, existe uma ordem lógica que eu vou explicar beeeeem rapidinho, como funciona.

Os de cima, em cinza, são sons vocálicos. Alguns tem ː e são chamados de longos pois são uma versão “estendida” do mesmo som sem os ː.

Os que estão em cinza escuro são ditongos (2 vogais juntas).

Os de baixo, em amarelo, são sons consonantais. Alguns são voiced (usam a voz), outros são unvoiced (sem voz, somente o som do ar).

E como eu uso?

Você, como aluno, não precisa conhecer TUDO sobre pronúncia para falar inglês fluente. Deixe isso com professores experientes, como os da Flipping It. O segredo, para você, é saber o básico e aplicar as regras dele para as palavras que você vê. Assim, ao invés de ficar resolvendo erros palavra por palavra, você pega a lógica por trás daquele som e aplica em tudo. É o tal de ensinar a pescar ao invés de dar o peixe.

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Em uma postagem de blog desse tamanho, sem som inclusive, é quase impossível de eu te explicar tudo. Mas é possível te ajudar com alguns dos sons que costumam causar problemas – e travam seu inglês fluente.

/ɪ/ e /ɪː/

O /ɪ/ (entre // é um som, não uma letra) é o nosso aclamado “i”. Sim, o i de “igreja” (ou “iscola”, como diria Carla Perez, no programa fantasia). O primeiro som é um i curto, ou seja, só um i. É o mesmo que você usa em “live”, em I live in São Paulo, e não “I laive in São Paulo”.

O segundo som, o /ɪː/ é o mesmo som porém longo. É como se fosse o nosso “Ihhhh… (deu ruim)“. É o mesmo som que você ouve na palavra Bee.

A lógica é simples: na maioria das vezes em que você ver um ‘i’ escrito sozinho, como em his, this, film, six, big, swim, você vai usar o /ɪ/. Como tudo em inglês, há exceções, e você também vai ter o mesmo /ɪ/ em English, women, busy.

Já para o uso do /ɪː/, a escrita costuma ser ee, ea, e. Por exemplo, meet, three, speak, eat, me, we. A essa altura, você já deve estar pensando qual palavra que xinga o Office quando você usa /ɪ/ ao invés de /ɪː/ em sheet, huh?

/ʊ/ e /ʌ/

Dois sons diferentes para a o “u”. O /ʊ/ soa como o nosso próprio U mesmo, do português. Enquanto o /ʌ/ soa como o nosso “a”, no sotaque britânico e variantes, e algo próximo do nosso “ã” no sotaque americano e variantes.

O “U curto” /ʊ/ costuma aparecer em palavras com u e oo, como full, put, good, book. Mas também aparece em could e would (ou seja, não é “cold” e “wold”)

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Já o /ʌ/ vai aparecer em palavras com adivinha só? O próprio u. Mas lembre-se: ele tem um som aberto. Então, você não fala “/ʊ/p” (up), mas fala /ʌ/p, mais aberto. Na dúvida, procure por “Up: altas aventuras”. Outros exemplos são bus, lunch, ugly, run, lucky, cut. Mas também tem suas exceções, como come, brother, son, does e young.

Você precisa praticar para chegar no inglês fluente

Esses 4 exemplos daí de cima vão te ajudar a entender a lógica por trás de palavras simples e começar a aplicar para outras, mais complexas. Afinal, um “u” pode ter dois sons distintos: mas na maioria das vezes, vai ser um dos dois. Uma pronúncia de um inglês fluente é a união entre estudo de pronúncia somada à prática (e vocabulário, e gramática, etc).

O estudo de pronúncia em inglês é uma ajuda IMENSA para você alcançar aquela fluência que sempre quis. De nada adianta você ser ótimo com gramática, entender todo mundo, se confunde o live (verbo) com o /ɪ/ (/liv/) com o live (nome, em “fazer uma live”) com /ɑɪ/ (/lɑɪv/), que é um som exatamente como você imaginou: “ai”.

Tem muito mais!

Aqui na postagem, te dei 4 exemplos simples. Mas como você viu na imagem lá em cima, o estudo básico de pronúncia vai bem além. E se você quiser mesmo entrar nesse assunto, é só falar conosco que vamos te ajudar a falar o sonhado inglês fluente!

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